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Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil
Meu blog, minhas palavras, meus pensamentos, minhas ideias, devaneios e verdades. Corrosivo, áspero e chato... mas de boa...

terça-feira, 6 de março de 2012

Ramon perdeu seu amor...

Ramon vinha pela rua, voltando de seus serviço, feliz. Havia uma semana que ele aguardava este momento sublime: encontrar Maria Eliza, sua maior paixão que, agora, voltava a ser uma realidade: ela queria um encontro!
Ramon imaginava que ela, Eliza, ainda estava como ele se lembrava: rosto delicado, pele branca, boca carnuda e olhos verdes. Para seus amigos, Ramos era louco, pois mulheres magras sempre o rodearam e o amaram. Mas ele amava Eliza e suas ancas largas...
Ela, bisneta de açorianos, cozinheira de mão cheia, adoradora de pimentas e demais especiarias, Eliza sempre foi boa em tudo o que faz: boa de cozinha, de cama, de garfo, de amores...

Ramon não.

Ramon sempre foi um cara pacato. Bom filho, nada especial, vendedor de sofás e jogador inconformado de futebol( tentou por anos ser jogador do São José, de Porto Alegre, sem sucesso). Ele sempre gostou de passeios, viagens e turismo. Ela, de festas, bailes, bares, cerveja escura e cigarros.
A maior prova de amor que ele deu a ela foi uma tatuagem em seu próprio peito com os dizeres: "Fica comigo? Pra sempre?" e um coração de Cristo, com o R dele e espaço para o E dela... Toda a vez que se viam, ele abria a camisa e mostrava, orgulhoso, a tatuagem para ela que, com desdém( mas com um orgulho gigantesco, quase uma paixão não assumida), sorria...

Pois bem, Ramon vinha descendo a rua, cantarolando Manu Chao( cinco de la mañana/no todo que es oro brilla/ remedio chino es infalible) e com um sorriso bobo, olhava a cidade: cinza, mas com nuances de dourado, graças ao sol do Outono...
Pensava nela, lembrava dela, sonhava com ela.
Eliza, ah, Eliza. Meu amor, minha luz minha flor.

Ela, Eliza, a mulher da vida dele, o esperava no Chalé da Praça XV. Cabelos soltos, negros como a noite, os olhos verdes escondidos pelo óculos de sol grande, sentada e degustando um chopp gelado. Ele vinha descendo a Borges, sem olhar para os lados, sem olhar as moças que caminhavam subindo a via, que o fitavam, encaravam com gana e desejo.
"Não, eu sou de Eliza. Sempre fui dela. Hoje serei eternamente dela." Pensava o homem, com olhar brilhando e compenetrado.
Ele, que não quis o amor de mulheres lindas e magras por amar a gordinha Eliza.
Ele, que ao ir em boates e cabarés, procurava as gordinhas e cheinhas
Ele, que ama Eliza e...

ELA!

Ali estava ela! Ele não a reconhecera, ele não podia acreditar!

ELA! O seu amor, a sua mulher farta...estava magra. Magérrima tal qual uma modelo...
Ela, na sua intenção de agradar, acabou com a alegria de Ramon...
Ele se ajoelhou na entrada do Chalé, colocou as mãos espalmadas no rosto, cobrindo as lágrimas que vertiam tal qual a Cascata do Caracol...
E saiu, sem dar oi ou tchau...indo apenas procurar um estúdio de tatuagem...

3 comentários:

Daisy Fornari disse...

heheheh gosto é gosto...boa Dani bj Daisy

BLOG DO BARATTA disse...

isso aí, abaixo a ditadura da costela. Nunca entendi isso. Numa exposição no MASP uma vez ao ver os quadros que retratavam a época do renascimento acho, as pinturas com mulheres fartas, um casal passava perto e ouvi a moça dizer ao irmão ou namorado ou sei lá: Olha, parece eu! Disse meio baixo mas deu pra eu escutar. Roberto Carlos, o maior artista desse país, comprou uma briga nos anos 90 e foi crucificado por muitos por fazer homenagens para as gordinhas, que usam óculos... Ramon é um cara cabeça, não é uma questão só de gosto. Ramon é um cara de atitude, rock n roll é atitude, logo Ramon é rock n roll. E Eliza? Eliza não tem personalidade, pois é uma (Maria vai com as outras), o que está na moda ela usa, provavelmente a roupa que a atriz da novela usa, ela copia. O padrão de beleza proveniente de uma ditadura estética padronizada televisanesca, ela adota. A mulher é linda em toda sua plenitude.

Daniel Mello & Seu Mundo Maluco disse...

Mulheres podem ser magras ou gordas, mas são lindas à sua maneira. Existe quem goste ou não.